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Palhaços da Avenida
 

Curiosidades

O paroaneiro é o indivíduo que faz parte do grupo como integrante efetivo. Antes de se tornar um paroaneiro, o candidato passa por um estágio como piruano, no qual ele pouco a pouco vai aprendendo o repertório, sendo avaliado informalmente pelos membros veteranos. Paroanetes são aqueles que acompanham o grupo em suas apresentações como foliões; vários deles acabam por integrar o grupo, tendo o estágio de piruano muitas vezes abreviado por já conhecerem boa parte do repertório. As mulheres que acompanham o Paroano também são paroanetes, embora nunca nenhuma delas tenha se efetivado como integrante fixa.

O grupo possui uma identidade musical muito forte, que foi construída ao longo dos anos. Parte dessa identidade foi edificada durante os primeiros 30 anos quando Antônio Carlos Queiroz Mascarenhas, o Janjão, um dos seus fundadores, comandava o conjunto. Essa identidade se revela em algumas características destacadas a seguir: a primeira se constitui na estrutura coral das vozes divididas em três grupos. A primeira voz canta a melodia principal, a segunda canta na região grave e a terceira voz canta, em geral, a parte mais aguda do arranjo. Outro aspecto que se destaca dentro desta identidade está relacionado à prosódia e divisão métrica das canções que sofrem uma adaptação rítmica, padronizando o canto de todos os integrantes. Também não existe solistas, posto que o trabalho é coletivo. Em geral os arranjos são homofônicos ou polifônicos. Uma terceira peculiaridade importante a ser ressaltada neste grupo é a adaptação de músicas não carnavalescas a ritmos próprios do carnaval como marcha, ijexá, frevo, samba, etc. As harmonias geralmente são simplificadas para facilitar a execução. Entretanto, dentro do contexto em que atua, tocando sem amplificação no meio da rua e da multidão, as harmonias executadas pelas cordas servem como apoio para as vozes. Essas características de identidade musical do grupo são denominadas por um verbo criado por seus integrantes: paroanizar. Uma canção é paroanizada quando se adéqua a tais características. O embrião deste estilo surgiu já no primeiro ano do grupo. Desde 1983, durante o carnaval, o grupo se apresenta com seus integrantes fantasiados de palhaços.

A história do Paroano é tão rica que foram realizados estudos e publicações mais elaboradas, tais quais: O livro “Paroano Sai Milhó: histórias de amor à música, à alegria, às cores e à vida”, escrito por Archibaldo Daltro Barreto Filho, o Quico, que conta boa parte da história do grupo e foi lançado em 2011 e até uma tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Música/Etnomusicologia da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia sob o título: “PAROANO SAI MILHÓ 50 ANOS: PERCURSO HISTÓRICO E IDENTIDADES NO CARNAVAL DE SALVADOR” defendido pelo ex-diretor musical e ex-integrante José Álvaro Lemos de Queiroz. Ambas as fontes foram utilizadas para os textos presentes aqui no site.

 

 
 
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